Conhecemos o CSD no início de 2006 e imediatamente decidimos que seria a escola de nossos filhos, mesmo não sendo tão perto de casa como poderíamos desejar.
O CSD se apresentou a nós exatamente como o que sempre buscamos: uma escola sem fins lucrativos, com gestão participativa-democrática e um projeto político-pedagógico construído através de anos de exercício democrático e de vivência dos mais avançados conceitos pedagógicos fundamentados (mas não engessados) no sócio-construtivismo.
A Helena entrou na 5ª e o Julio na 1ª série (vieram da Escola Caminho Aberto, que consideramos muito pequena para o Fund 2).
Ainda em 2006, começamos a notar fortes contradições entre discurso e prática, cada vez mais frequentes, o que levou grande número de pais e mães (inclusive nós) a buscar esclarecimentos com a equipe de direção sobre as mudanças em curso no projeto político-pedagógico da escola.
No final de 2006, a demissão de um professor de Filosofia respeitado e querido por toda a comunidade, claramente motivada pela sua atuação no Conselho de Escola, onde era membro representante dos professores, detonou um processo de mudança no CSD.
Abriu-se um processo de discussão e conscientização que fez transparecer claramente que o CSD havia se transformado em um espaço opressivo, onde a direção considerava que o projeto político-pedagógico que fundamentava a escola estava superado e não passava de letra morta, onde não havia mais lugar para a construção coletiva.
A vontade de recuperar o projeto do CSD animou a disposição de muitos pais e mães, alunos, professores e funcionários, em defesa da escola. Fortaleceu-se na comunidade o sentimento de que tínhamos que resgatar a escola, seu espaço democrático e seu projeto político-pedagógico, que não havíamos decidido jogar fora. Esse processo culminou com a mudança da equipe direção, em meados de 2007.
Resultado da vontade da comunidade, começou o período sob direção do Silvio, escolhido por uma banca de seleção formada por representantes de todos os segmentos, como determina o Estatuto da Escola. Foi o início da retomada da democracia e da construção coletiva, princípios fundadores da escola e do seu projeto político-pedagógico.
A participação, especialmente dos pais e mães, não é fácil: não há dia nem horário que garanta maior presença em reuniões, o tempo é curto e as pressões cotidianas se refletem também em dificuldades de elaboração conjunta; às vezes, já cansados, alguns queixam-se de reuniões... mas com certeza ainda não há melhor forma de interagir, de debater, de fazer junto.
Cabe a todos nós buscar ampliar a participação da comunidade, para que a escola esteja sempre aberta para a reflexão, a crítica e a autocrítica, para que esteja sempre viva, ativa, cumprindo seu papel de ser o espaço principal da aquisição e do desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens, não só do conhecimento acadêmico, mas dos valores humanistas e cidadãos, tão necessários à tão indispensável evolução humana.
A participação no Conselho de Escola concretiza a possibilidade de fazermos juntos essa escola. Por isso, coloco novamente minha disposição de participar.
Paula Capriglione, mãe da Helena (9º B) e do Julio Zelic (5ºA)